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Você sabe o quanto cobrar por seus produtos?

Nesta semana aqui no Espaço do Empreendedor falaremos sobre um assunto importante, e que muita gente ainda tem dificuldade. Afinal, você sabe o quanto você ganha por cada um de seus produtos vendidos? Não o valor total (que é o valor unitário multiplicado pela quantidade vendida), mas quanto sobra para você ao vender cada um de seus produtos? Ao fazermos uma reflexão mais profunda, muitas vezes descobrimos que não ganhamos tanto quanto pensávamos e, em alguns casos mais extremos, que estamos trabalhando praticamente de graça.

Pensando em simplificar sua vida eu desenvolvi uma planilha em Excel que vai te ajudar a calcular de maneira mais assertiva o preço dos seus produtos. Existem por aí na internet varias planilhas que custam de R$20 até mais de R$100 reais, porém decidi disponibilizar esta planilha sem um preço determinado. A ideia é: pague o quanto você achar que vale! Se você achar que não vale nada, não precisa pagar, porém lembre-se que tirei umas horas do meu tempo livre para facilitar sua vida. Para fazer o download da planilha, clique aqui.

Para facilitar o entendimento da estrutura de custos de um produto, vou prosseguir com a explicação utilizando a planilha, assim você conseguirá entender examente a que se refere cada linha.

 

Para o nosso exemplo vou fazer o preço para um caderno feito à mão. A primeira coisa é preencher corretamente o nome do produto, assim poderemos realizar consultas ou alterações a qualquer momento, sem sufoco.

 

1. Mão de Obra

Nesta parte da planilha vamos preencher informações que serão utilizadas para determinar o quanto custa cada hora trabalhada em um determinado projeto. Caso você terceirize a produção, deverá entrar aqui com as informações do seu fornecedor. Caso você seja o(a) artesã(o), deverá considerar as suas informações. Em nosso exemplo, preenchi a planilha da seguinte maneira:

1.1. Horas Trabalhadas por Dia

Quantas horas você (ou seu fornecedor) trabalhará por dia nos projetos. Lembre-se de considerar somente as horas úteis de trabalho.

1.2. Dias Trabalhados na Semana

Quantidade de dias trabalhados na semana. Em nosso exemplo, considerei de segunda a sexta-feira (5 dias).

1.3. Tempo Gasto para Produzir 1 Peça

Tempo utilizado na fabricação de uma peça. Caso seu processo necessite de tempo de descanso, ou tempo de secagem, não considere.

1.4. Salário Mensal

Salário que você deseja ganhar por mês. Este valor é importante, pois metodologicamente consideraremos o lucro como um valor que será totalmente reaplicado em seu negócio. No caso, este aqui é o dinheiro que de fato irá para seus gastos pessoais.

 

2. Custos Indiretos

Nos custos indiretos, consideraremos as despesas que teremos, como impostos e taxas sobre as vendas.

2.1. Impostos

Valor em percentual pago sobre cada produto vendido. O valor do imposto vai depender do seu tipo de empresa e regime de tributação. Para nosso exemplo, vamos considerar uma microempresa aderente ao Simples Nacional, onde é cobrado um total de 4% sobre os valores vendidos.

2.2. Comissões

Caso você tenha vendedores ou representantes comissionados, digite aqui o percentual de comissão por produto vendido. Em nosso exemplo, vou deixar zerado.

2.3. Taxa Marketplace

Taxa cobrada pelo site ou local onde você venderá seus produtos. Vou considerar 18% no exemplo, que é próximo do valor cobrado pelo ELO7.

2.4. Despesas Fixas

Despesas geradas a partir da fabricação de seus produtos. Como exemplo temos água, luz, aluguel, internet, divulgação, entre outros.

3. Outros Custos

Em “Outros Custos” vamos abordar fatores que normalmente a grande maioria das pessoas se esquecem, principalmente os custos de manuseio e envio.

3.1. Custo com Manuseio e Embalagem

Assim como já falamos aqui no Espaço do Empreendedor, para poder enviar seus produtos, você precisará embalá-los de maneira adequada. Considere aqui os gastos com papéis, caixas, etiquetas, entre outros.

3.2. Transporte até Transportadora

A grande maioria dos sites de vendas (como ELO7 e Mercado Livre) considera como frete somente o custo com a transportadora (ou Correios). Lembre-se que você deverá ir até uma agência para realizar a postagem, então considere aqui o custo com passagens ou combustível.

3.3. Outros Custos

Caso você tenha algum outro custo que não se encaixe em nenhuma das categorias anterior, você poderá colocá-lo aqui.

4. Margem de Lucro

A “Margem de Lucro” será aquele valor destinado às melhorias e crescimento do seu negócio. Lembre-se que você já lançou os valores de mão de obra, então procure não trabalhar com valores de margem superiores a 50% pois isto poderá encarecer seu produto e atrapalhar as vendas. Uma dica é você testar diversos valores de margem e observar como o valor final do produto se comporta.

5. Matérias Primas

Por fim devemos considerar os valores gastos com matérias-primas, sempre se atentando ao rendimento ou a quantidade de peças que podem ser feitas com cada item. Na coluna “K” o valor proporcional por unidade é calculado de acordo com o rendimento (colula “J”) e o preço (coluna “I”) de cada matéria-prima.

6. Entendendo os Valores

Se você preencheu tudo corretamente, a planilha te apresentará a composição dos seus custos, bem como o valor de venda do produto.

Obs1: o Lucro Real* apresentado na planilha já desconta os impostos e comissões abatidas da Margem de Lucro escolhida por você.

Obs2: caso você seja o(a) artesã(o) responsável pela elaboração de suas peças, o valor que “sobrará” de cada venda será a Mão de Obra + Margem de Lucro (em nosso exemplo R$24,87 por agenda vendida).

Obs3: em nosso exemplo, o valor final de venda de cada agenda seria de R$58,93.

 

E com este tema abordado, finalizamos o Módulo I do nosso Espaço do Empreendedor. No próximo módulo vamos falar sobre metas e como realizar o devido acompanhamento de indicadores.

Lembrando que a planilha está disponível em nossa Loja Virtual, pelo preço que você quiser pagar. Para ir para a loja, basta clicar aqui.

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Como Enviar Seus Produtos?

Agora que você já abriu sua empresa, emitiu o CNPJ e já possui sua estratégia de canais de venda estabelecidos, é hora de definir um dos pontos de maior impacto em seus negócios: como enviar as suas peças para os clientes? Muito provavelmente você pretende utilizar os Correios, mas você sabe quanto isto custará a você e aos seus clientes? Pesquisas recentes apontam que as empresas gastam cerca de 12% (em pequenas empresas este número é muito maior) de seu faturamento com despesas de frete e envio, por isso ter uma solução boa, porém com o menor custo possível é fundamental. Antes de você definir estes importantes aspectos para seu novo negócio, vamos falar sobre alguns pontos importantes que com certeza irão ajudar em sua decisão.

1. Embalando seus Produtos

Para que você possa enviar seus produtos através de qualquer transportadora, você primeiro terá que preparar o pacote adequadamente. Ao escolher uma embalagem para os seus produtos, você deverá levar em conta alguns fatores importantes como peso, capacidade de proteção do produto, formato e dimensões.

1.1. Peso

Para o cálculo do valor de um envio, todas as transportadoras utilizam (além do endereço de destino e origem) as dimensões do pacote e seu peso. Sendo assim é importante que sua embalagem seja o mais leve possível, para que a mesma não gere um alto custo de frete para os seus clientes. Procure sempre optar por materiais leves como papelão, papel ou plástico.

1.2. Proteção do conteúdo

Tenho certeza que você já passou pela seguinte situação: você compra um produto pela internet e, ao receber em sua casa, percebe que o pacote está danificado. Isso acontece porque para otimizar custos, as transportadoras direcionam as encomendas para Centros de Distribuição onde, muitas vezes, pode acontecer de seu pacote cair nas mãos de um funcionário pouco cuidadoso. Sendo assim é importante que a embalagem proteja seu produto contra impactos, trepidação e umidade. Lembre-se que seu cliente espera receber o produto inteiro e sem qualquer tipo de dano.

1.3. Formato

Sempre opte por formatos de caixa o mais retos o possível. Algumas transportadoras, como é o caso dos Correios, cobram uma taxa extra para embalagens que não sejam neste formato (falaremos mais daqui a pouco).

1.4. Dimensões

As dimensões do pacote têm um impacto direto no custo de envio. Como regra geral, quanto maiores as dimensões, maior será o custo de envio. Fique atento pois as transportadoras possuem limites de dimensões (e também de peso!) para os pacotes.

Atualmente os Correios trabalham com as dimensões máximas de 105cm para altura, largura e profundidade do pacote, sendo que a soma destas três medidas não pode exceder 200cm. Caso você opte por outra transportadora, é importante verificar quais são as dimensões máximas com as quais eles trabalham!

 

2. Escolhendo a Transportadora

Ao escolher uma transportadora, é importante estar atento à três fatores importantes. O primeiro fator é a área de atuação (ou área de entrega). Nem todas as transportadoras realizam entregas em todas as cidades do país. Se você pretende realizar entregas em todo o Brasil os Correios são uma opção interessante, exatamente por atenderem grande parte do país. Para se ter uma ideia, se contarmos as agendas e demais pontos de atendimento, os Correios possuem mais de 20 mil postos de atendimento no país.

O segundo fator importante é o custo de envio. As transportadoras normalmente cobram valores diferentes para uma mesma área de entrega. O ideal é que você escolha pelo menos três transportadoras e faça um orçamento através do site de cada uma para ver qual possui os melhores preços. Lembre-se de escolher sempre transportadoras que possuam agências em sua cidade, pois isto barateia bastante o custo de envio e/ou coleta. Já o terceiro fator é o prazo de entrega. Tenha certeza que seus clientes desejam receber suas compras no menor tempo possível. Uma boa ideia aqui é você trabalhar com pelo menos duas transportadoras, assim você consegue equilibrar o custo de envio com o prazo de entrega de maneira mais eficaz.

3. Taxa Extra nos Correios

Recentemente os Correios passaram a cobrar uma taxa adicional de R$79,00 para as encomendas que necessitam de manuseio especial. Basicamente esta cobrança adicional se aplica aos pacotes cilindricos e esféricos, bem como aos pacotes cuja maior dimensão for superior a 70cm. Os Correios disponibilizam um documento explicando melhor sobre esta cobrança, que você pode consultar aqui (Manuseio especial por formato ou dimensao_para PDF_18set18).

 

 

Em nosso próximo artigo falaremos sobre como e onde você pode divulgar seus produtos. Lembrando que você pode usar o campo de comentários abaixo para tirar quaisquer dúvidas que você ainda possa ter. Nos vemos semana que vem!

 

Fontes:
http://correios.com.br/sobre-os-correios/a-empresa/quem-somos/principais-numeros
https://www.correios.com.br/a-a-z/pdf/Manuseioespecialporformatooudimenso.PDF/view
https://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/forca-dos-caminhoes-12-do-faturamento-das-empresas-sao-gastos-com-transporte/

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Legalizando Seu Negócio

Você está pensando em começar seu próprio negócio como artesão ou já trabalha com isto, mas não possui registro como pessoa jurídica? Dentre as principais vantagens em legalizar o seu negócio estão possuir um CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica), o que passa para seus clientes uma maior profissionalidade e seriedade, e a possibilidade de poder emitir Notas Fiscais Eletrônicas (NFe). Se você planeja fazer envios através dos Correios ou de quaisquer transportadoras, saiba que a NFe (ou a declaração de conteúdo) é obrigatória para realizar qualquer postagem (discutiremos este assunto com maiores detalhes nas próximas aulas).

A seguir falaremos um pouco sobre as principais opções que podem atender a você que busca legalizar seu negócio de artesanato, seja você um artesão ou fornecedor de matérias-primas.

Tipos de Empresa

Dentre as diversas categorias de empresas estão as duas mais comuns para quem está iniciando, que são o Microempreendedor Individual (MEI) e a Microempresa (ME). Os dois tipos possuem uma característica em comum, que é o fato de serem empresas constituídas por apenas um sócio. É muito importante, porém, ficar atento e escolher corretamente a categoria de empresa, pois as duas possuem características bem distintas como vamos ver a seguir.

 

Microempreendedor Individual

A figura do microempreendedor individual foi criada a partir da Lei Complementar nº 128, no ano de 2008. O MEI é caracterizado como o empresário individual que atende os critérios abaixo:

 

  1. Tenha um faturamento anual de, no máximo, R$ 81.000,00;
  2. Não possua e nem seja sócio de outra empresa;
  3. Possua no máximo um empregado (o empresário mais um empregado;
  4. Exercer uma das atividades econômicas previstas por lei (clique aqui para ver as atividades permitidas).

 

A primeira grande vantagem do MEI é a facilidade para realizar a formalização e obter o CNPJ. O processo todo é gratuito de deve ser feito através do site do Portal do Empreendedor. O processo é todo feito eletronicamente e a documentação necessária é obtida em questão de instantes, não havendo a necessidade de assinar e protocolar documentos na junta comercial.

A segunda grande vantagem do MEI é a baixa e simplificada carga de impostos. O MEI deverá recolher apenas o INSS em 5% do salário mínimo vigente (cerca de R$ 47,00) e o ICMS de R$1,00 (para comércio ou indústria) e/ou ISS no valor de R$5,00 (para prestadores de serviços). Estes tributos são todos pagos em apenas uma guia, denominada DAS (Documento de Arrecadação do Simples Nacional).

É importante reforçar também que o MEI, por contribuir com o INSS, possui diversos benefícios trabalhista como aposentadoria, auxílio doença e salário maternidade (consulte todos os benefícios neste link).

 

Microempresa

A microempresa (ME) também é constituída por apenas um sócio, atendendo aos critérios abaixo:

 

  1. Tenha um faturamento anual de, no máximo, R$ 360.000,00;
  2. O empresário pode possuir ou ser sócio de outras empresas;
  3. A empresa pode registrar quantos funcionários forem necessários;
  4. A empresa pode exercer qualquer atividade, exceto poucas exceções como banco comercial, sociedade de crédito e afins.

 

As microempresas possuem a facilidade de poderem se inscrever no Simples Nacional, que é um regime tributário simplificado que tem como finalidade simplificar a vida dos empresários e empreendedores. No Simples, os impostos também são recolhidos através de uma guia unificada do DAS. Os impostos recolhidos através do DAS são:

 

  • Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ);
  • Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI);
  • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL);
  • Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins);
  • Contribuição para o PIS/Pasep;
  • Contribuição Patronal Previdenciária (CPP);
  • Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS);
  • Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISS).

 

Mesmo com a quantidade de impostos unificados através do Simples Nacional, a carga tributária é relativamente baixa se comparada a outras modalidades de sociedade. As alíquotas de impostos variam de acordo com o faturamento da empresa nos últimos 12 meses e de acordo com a atividade econômica. Abaixo segue a tFabela válida a partir de 01 de janeiro de 2018 para empresas de comércio:

 

Faturamento nos últimos 12 meses Alíquota  Valor a deduzir (em R$)
Até R$ 180.000,00 4,00%
R$ 180.001,00 a R$ 360.000,00 7,30% R$ 5.940,00
R$ 360.001,00 a R$ 720.000,00 9,50% R$ 13.860,00
R$ 720.001,00 a R$ 1.800.000,00 10,70% R$ 22.500,00
R$ 1.800.001,00 a R$ 3.600.000,00 14,30% R$ 87.300,00
R$ 3.600.001 a R$ 4.800.000,00 19,00% R$ 378.000,00

 

Diferente do MEI, o processo de abertura de uma ME é bastante burocrático e exige uma documentação extensa. Caso você decida abrir uma empresa deste tipo, recomendamos que você conte com o apoio de um escritório de contabilidade.

 

E qual tipo de empresa eu devo abrir?

Agora você deve estar pensando, “Mas afinal, qual tipo de empresa eu devo abrir?”. Caso você atenda aos requisitos do MEI, recomendamos fortemente que você comece por aí, até mesmo pela facilidade e rapidez em formalizar o seu negócio (a abertura de uma ME pode levar até 90 dias dependendo da cidade onde ela será aberta!). Se daqui há algum tempo seu negócio crescer a ponto de você não se enquadrar mais como MEI, basta você solicitar a migração de sua empresa de MEI para ME.

 

Em nosso próximo artigo, vamos falar um pouco sobre onde vender seus produtos. Nos vemos semana que vem!

 

 

Fontes:

http://www.portaldoempreendedor.gov.br/duvidas-frequentes

http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/entenda-as-diferencas-entre-microempresa-pequena-empresa-e-mei,03f5438af1c92410VgnVCM100000b272010aRCRD

https://www.juridoc.com.br/blog/abrir-uma-empresa/5582-requisitos-enquadrar-empresa-como-me-epp/

https://blog.contaazul.com/o-que-e-simples-nacional/

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/LCP/Lcp123.htm#anexoi